Personal Philosophy

  • “Na política, meu caro, você sabe tão bem quanto eu, não há homens, há ideias; não há sentimentos, há interesses; na política, não se mata um homem, suprime-se um obstáculo, nada mais.” - Noirtier a seu filho, Gérard de Villefort. O Conde de Monte Cristo, Alexandre Dumas.
  • “A única opinião que eu já havia encontrado que contradizia isso provinha da minha primeira doutrinação na CI; lá, haviam dito que, de fato, era um pouco melhor oferecer a venda de segredos ao inimigo que oferecê-los gratuitamente a um repórter. Um repórter contaria ao público, ao passo que seria improvável que um inimigo compartilhasse seu prêmio, inclusive com seus aliados.” - Eterna vigilância, Edward Snowden.
  • “De todas essas coisas, a prudência é o princípio e o supremo bem, razão pela qual ela é mais preciosa que a própria filosofia; é dela que originam todas as demais virtudes; é ela que nos ensina que não existe vida feliz sem prudência, beleza e justiça, e que não existe prudência, beleza e justiça sem felicidade.” - Carta a Meneceu, Epicuro (nota: Francamente, daria para colocar o livro inteiro dentro dessa página, e, eventualmente, talvez realmente faça isso lmao)
  • “Eu lhe prometi ficar eternamente ao seu lado; agora não sou livre para descumprir a minha promessa; como você, eu não terei esse tesouro; nunca sairemos daqui. Aliás, o meu verdadeiro tesouro, como vê, meu amigo, não é o que me esperaria debaixo dos sombrios rochedos de Monte-Cristo: é a sua presença, é o nosso convívio de cinco ou seis horas por dia, apesar de nossos carcereiros; são os clarões de inteligência com que você iluminou a minha mente; são as línguas que você implantou em minha memoria e que nela brotam com todas as suas ramificações filológicas. As varias ciências que você me tornou tão fáceis, graças a profundidade do conhecimento que tem delas, graças a clareza dos princípios a que as reduziu, são o meu tesouro, amigo: assim você me tornou rico e feliz. Acredite-me e console-se: para mim isso vale mais do que toneladas de ouro e caixas de diamantes… Mesmo se essas riquezas não fossem problemáticas, como aquelas nuvens que de manhã vemos flutuar sobre o mar, imaginando que vemos terra firma, mas que se evaporam, volatizam-se e desaparecem enquanto nos aproximamos. Te-lo perto de mim sempre que possível, ouvir a sua voz eloquente, ornar o meu espirito, retemperar a minha alma, fazer todo o meu ser capaz de grandes e terríveis coisas se um dia eu for livre, preenche-lo tão bem que o desespero a que me entregava quando o conheci já não tem mais espaço, essa é a minha fortuna; essa fortuna não é quimérica: é bem verdadeira, devo-a a você, e nem mesmo todos os soberanos da terra , mesmo se fossem Césares Bórgias, conseguiriam me roubar essa fortuna.” - Edmond Dantès á Abade Faria. O Conde de Montecristo, Alexandre Dumas.
  • “Assim, Dantès, que havia três meses só aspirava à liberdade, já não achava liberdade suficiente e aspirava à riqueza; a culpa não era do Dantès, mas de Deus, que, limitando o poder do homem, criou-lhe desejos infinitos” - O Conde de Montecristo, Alexandre Dumas.
  • “Avanços tecnológicos não permitirão a manuntenção do status quo, ao menos à respeito da privacidade. O status quo é instável. Se não fizermos nada, novas tecnologias darão ao governo novas habilidades de vigilância automática que Stalin seria incapaz de conceber. A única maneira de manter a privacidade na era da informação é criptografia forte.” - Phil Zimmermann, “Porque eu escrevi o PGP”
  • “Cypherpunks write code.” - A Cypherpunk’s Manifesto, Eric Hughes
  • “Quando o amor se torna um deus, vira demônio” - C.S Lewis, “Os Quatro Amores”
  • “Ut ameris, amabilis esto.” - Óvido, “Ars Amatoria”, livro II, verso 107
  • “Propter vitam vivendi perdere causas”, Juvenal, “Sátira VIII”
  • “A Amizade não é uma recompensa para nosso discernimento e bom gosto em achar um ao outro. É o instrumento pelo qual Deus revela a cada um as virtudes de todos os outros” - C.S Lewis, “Os Quatro Amores”
  • “A surdez parcial, que é nobre e necessária, encoraja a surdez indiscriminada, que é arrogante e desumana” - C.S Lewis, “Os Quatro Amores”
  • “De uns tempos para cá, dei de sentir dentro de mim um acúmulo de todos os tipos de coisas que não podem achar expressão adequada através de uma forma artística objetiva como o romance. Um poeta lírico de vinte anos se sairia bem dessa situação, mas eu não tenho mais vinte anos e, de qualquer forma, nunca fui poeta.” - Yukio Mishima, “Sol e Aço”
  • “Sempre senti que sinais de uma individualidade física tais como uma grande barriga (sinal de preguiça espiritual) ou um peito achatado com costelas protuberantes (sinal de uma sensibilidade nervosa excessiva) eram muito feios, e não pude conter minha surpresa quando descobri que tinha gente que amava esses sinais. Para mim, isso só podia parecer atos de desavergonhada indecência, como se o portador estivesse expondo os órgãos sexuais do espírito do lado de fora do seu corpo. Representavam um tipo de narcisismo que eu jamais poderia perdoar. ” - Yukio Mishima, “Sol e Aço”
  • “A natureza deste aço é estranha. Descobri que enquanto eu aumentava seu peso, pouco a pouco, o efeito era como os braços de uma balança: o volume dos músculos colocados no outro prato da balança cresceu proporcionalmente, como se o aço tivesse a obrigação s;le manter um estrito equilíbrio entre os dois extremos. Passo a passo, as propriedades dos meus músculos começaram cada vez mais a se assemelhar às propriedades do aço. Este lento desenvolvimento, achei, era muito semelhante ao processo da educação, que remodela intelectualmente o cérebro, alimentando-o progressivamente com problemas cada vez mais dificeis. E uma vez que havia sempre a visão de um ideal clássico do corpo para servir como modelo e um objetivo final, o processo se assemelhava muito ao ideal clássico de educação. ” - Yukio Mishima, “Sol e Aço”
  • “Músculos forte e esculturais eram indispensáveis para uma morte nobremente romântica.” - Yukio Mishima, “Sol e Aço”
  • “O aço me ensinou muitas coisas diferentes relacionadas aos músculos. Proporcionou-me um tipo totalmente novo de conhecimento, um saber que nem livros nem a experiência do mundo poderiam me dar. ” - Yukio Mishima, “Sol e Aço”
  • “O único lugar fora do Céu onde você pode estar perfeitamente seguro de todos os perigos e perturbações do amor é o Inferno” - C.S Lewis, “Os Quatro Amores”
  • “De todas as nossas obras, a mais real deve ser a mais secreta” - C.S Lewis, “Os Quatro Amores”
  • “Tudo que não é eterno é eternamente ultrapassado” - C.S Lewis, “Os Quatro Amores”
  • “Mesmo aí, eu não podia chegar a acreditar nisso, a não ser quando tudo isso apareceu nos limites extremos da consciência; percebi nebulosamente, também, que a única prova física da existência da consciência era o sofrimento. Sem dúvida, havia um certo esplendor no sofrer, em íntima afinidade com o esplendor que lateja dentro da força. ” - Yukio Mishima, “Sol e Aço”
  • “Meu filho, tenha medo do amor de uma mulher, tenha medo dessa felicidade, desse veneno…” - Ivan Turgeniev, “Primeiro Amor”
  • “Deixemos o homem moderno com as suas ‘verdades’ e preocupemo-nos com apenas uma coisa: permanecer de pé por entre um mundo de ruínas” - Julius Evola, “Revolta Contra O Mundo Moderno”
  • ”[…] não se assemelha absolutamente a um mortal o homem que vive entre bens imortais” - Carta a Meneceu, Epicuro
  • “Se você conseguir se transformar em um autodidata, nunca mais vai ter dificuldade em qualquer assunto” - Pierluigi Piazzi, “Aprendendo Inteligência”

Great Texts

Alexander Grothendieck on Solitude

Naqueles anos críticos eu aprendi a estar só. (Mas mesmo) essa formulação não capta realmente o que quero dizer. Eu não aprendi, em nenhum sentido literal, a estar só, pela simples razão de que esse conhecimento nunca foi desaprendido durante minha infância. É uma capacidade básica em todos nós desde o dia de nosso nascimento. No entanto, esses três anos de trabalho em isolamento (1945–1948), quando fui lançado aos meus próprios recursos, seguindo diretrizes que eu mesmo havia inventado espontaneamente, instilaram em mim um forte grau de confiança, despretensiosa porém duradoura, na minha capacidade de fazer matemática, uma confiança que nada deve a qualquer consenso ou às modas que se passam por lei… Com isso, quero dizer: alcançar à minha própria maneira as coisas que eu desejava aprender, em vez de depender das noções do consenso, explícito ou tácito, vindo de um clã mais ou menos extenso do qual eu me via como membro, ou que por qualquer outra razão reivindicava ser tomado como uma autoridade. Este consenso silencioso havia me informado, tanto no liceu quanto na universidade, que não se devia perder tempo se preocupando com o que realmente se queria dizer ao usar um termo como “volume”, que era “obviamente autoevidente”, “geralmente conhecido”, “aproblemático”, etc… É nesse gesto de “ir além”, de ser algo em si mesmo em vez de ser o peão de um consenso, a recusa em permanecer dentro de um círculo rígido que outros traçaram ao seu redor — é nesse ato solitário que se encontra a verdadeira criatividade. Todas as outras coisas se seguem como consequência natural.

Desde então, tive a chance, no mundo da matemática que me deu as boas-vindas, de conhecer um bom número de pessoas, tanto entre meus “mais velhos” quanto entre os jovens da minha faixa etária, que eram muito mais brilhantes, muito mais “talentosos” do que eu. Eu admirava a facilidade com que eles captavam, como se fosse uma brincadeira, novas ideias, manipulando-as como se fossem familiares a eles desde o berço — enquanto eu me sentia desajeitado, até mesmo bronco, vagando dolorosamente por uma trilha árdua, como um boi bronco diante de uma montanha amorfa de coisas que eu tinha de aprender (assim me garantiam), coisas das quais eu me sentia incapaz de compreender o essencial ou de acompanhar até o fim. De fato, havia pouco em mim que identificasse o tipo de estudante brilhante que vence em competições de prestígio ou assimila, quase num passe de mágica, os assuntos mais intimidadores.

Na verdade, a maioria desses camaradas que eu julgava serem mais brilhantes do que eu tornaram-se matemáticos distintos. Ainda assim, da perspectiva de trinta ou trinta e cinco anos, posso afirmar que a marca deles sobre a matemática do nosso tempo não foi muito profunda. Eles todos fizeram coisas, muitas vezes coisas belas, num contexto que já estava estabelecido diante deles, o qual eles não tinham inclinação para perturbar. Sem se darem conta, eles permaneceram prisioneiros daqueles círculos invisíveis e despóticos que delimitam o universo de um certo meio em uma determinada época. Para terem rompido esses limites, eles teriam que redescobrir em si mesmos aquela capacidade que era seu direito de nascença, assim como era o meu: a capacidade de estar só.”